Barrado à Entrada!

A/C Sua Excelência

Verónica Nataniel Macamo Dlhovo

Ex.ma Senhora,

Sou cidadão Português, radicado há 22 anos na África do Sul. Durante este tempo tenho viajado várias vezes a Moçambique em missões humanitárias, já que estou envolvido com um trabalho missionário/humanitário a partir de Portugal.

Tenho tido sempre o cuidado de me informar e estar dentro dos parâmetros ditados pelas leis do país com relação à entrada de estrangeiros.

Desta vez, como o meu passaporte iria caducar no próximo dia 29 do corrente, dirigi-me ao Consulado de Moçambique em Nelspruit, a cidade mais perto de onde resido, para me informar do requisitos actuais e também requerer o visto de entrada.

Fui informado que agora os vistos são emitidos na fronteira. Mais não me foi dito e assim continuei nos preparativos para a viagem.

Entretanto, como o passaporte iria caducar, fiz um agendamento via internet junto do Consulado de Portugal, em Pretória, no dia 26 de Julho para a renovação do mesmo cuja data disponível foi só no dia 6 de Setembro. Desloquei-me a Pretoria nesse dia, submeti os papéis, paguei os emolumentos e fui informado de que estaria pronto dali a 10 dias úteis, o que não iria chegar a tempo para esta viagem.

Tentei pesquisar na internet acerca das regras actuais e não vi em lado nenhum que teria que ter um passaporte com validade de pelo menos 6 meses, para poder obter o visto de entrada.

Mesmo assim, com o coração nas mãos, lá fui hoje dia 16 para o Posto de Fronteira Ressano Garcia, munido do passaporte em vias de caducar e o recibo de que iria receber um novo passaporte dentro de dias.

Certamente haveria alguém que me pudesse ajudar caso houvesse problema. Afinal, a viagem era apenas por dois dias, entrar hoje dia 16 e sair no Domingo dia 18.

Um outro detalhe quiçá relevante é que o meu visto de permanência na África do Sul, que está válido até dia 23 de Novembro, encontra-se neste passaporte que irá caducar, portanto terei sempre que ter na minha posse o caducado e o novo que irei receber dentro de dias.

Infelizmente não encontrei ninguém que me pudesse ajudar mas apenas pessoas com um grande sentido burocrático e nenhum tacto ou poder de análise e decisão.

Cheguei ao Posto de Fronteira às 12:30 e aí permaneci até às 14:30 sensivelmente, para depois ser “recambiado” de volta à procedência, com todos os contratempos e perdas inerentes.

Se me é permitido, sugeriria que os funcionários no Consulado em Nelspruit recebessem formação sobre como informar os viajantes, especialmente depois destes tempos difíceis em que todos fomos mergulhados, esta “pandemia” que só veio trazer confusão a todos os níveis.

E, no Posto de Fronteira, quem está no cargo de chefia, seria bom ter alguém com poder de lidar com os viajantes/visitantes em diplomacia e relações públicas, e não alguém que apenas se cinge às regras e faz delas palco para as suas ânsias ditatoriais.

Agora estou de volta à estaca zero, em casa, desgastado com este dia nefasto e com pouca vontade de promover Moçambique. Perdoe-me o desabafo mas estou apenas a partilhar o que me vai na alma. Talvez daqui a uns dias me alente e pense em tentar outra vez.

Para colocar a minha frustração em contexto, faço saber que tenho mobilidade reduzida, movimentando-me com bengala, e que estive fadado a estar à espera 2 horas em pé para no final assinar sob coacção, um Comunicado de despacho. Temo que se não o tivesse assinado, ainda lá estaria retido, sem o meu passaporte.

Junto o referido Comunicado de despacho.

Sem mais de momento, e na esperança de que haja um futuro em que não seja só o nosso Primeiro Ministro, o Dr. António Costa a dançar a Marrabenta, despeço-me com saudações cordiais e francas, sempre.

João Rodrigues
(Missionário)

eom

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